padre-cicero“Padre Cícero não necessitava de reconciliação com a igreja católica para ter sua importância celebrada por mais de 2 milhões de romeiros presentes todos os anos na cidade de Juazeiro do Norte.”

Porém, ao vir, houve e haverá festa. Na terça-feira 15, por exemplo, cerca de 40 mil fiéis lotaram o estádio do Romeirão em uma missa com intuito de homenagear ao Padre.
Mas foi neste domingo que foi divulgada na íntegra a carta com que o vaticano colocou fim na celeuma que durava mais de um século.

A questão teve início no ano de 1889, quando em uma comunhão geral, oficiado por Padre Cícero, uma hóstia verteu sangue na boca da beata Maria de Araújo. Esse denominado milagre foi, segundo Lira Neto, seu biógrafo, o fato gerador e o início da criação do mito. Assim, a história percorreu todo o Nordeste e acabou desagradando a igreja que acreditava que tudo não passava de uma falcatrua. Quando morreu, aos 90 anos, no dia 20 de junho de 1934, ele havia sido suspenso da igreja e proibido de celebrar missas. Porém, sua santidade nunca gerou dúvidas para os milhares de romeiros.

Há quem acredite que essa reconciliação foi diferida pela extrema sensibilidade que o Papa Francisco tem para com a fé dos mais pobres, muito em sintonia com a própria conduta do Padre. Afinal, na década de 1870, Padre Cícero já dava início as suas pregações na encosta da Chapada do Araripe (verdadeiro paredão de verde e águas cristalinas) devotando toda sua atenção às populações do sertão nordestino, fugidas da seca e da fome.

Com todo o seu amparo, sua presença mudou a geografia, a economia e o centro eclesiástico do Ceará, que passou a ser maior em Juazeiro do que na própria cidade de nascença (Crato). Hoje, de qualquer ponto da cidade que se olhe, é possível enxergar uma estátua de 27 metros de altura de Padim Ciço, para onde milhares de romeiros se dirigem todos os anos.